Morre Oscar Schmidt, lenda do basquete brasileiro e mundial
Lenda do basquete brasileiro e mundial, Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira, dia 17 de abril, aos 68 anos. Carlinhos Cavalcante, coordenador técnico da equipe de basquete do River-SET destacou a importância histórica e simbólica de Oscar para a modalidade no Brasil. Para ele, o amor e a lealdade do ex-ala em defender a seleção brasileira marcaram gerações e deixaram um legado pautado pela excelência esportiva. Além disso, ressaltou o impacto duradouro do ex-jogador não apenas nos resultados dentro de quadra, mas também na formação de novos praticantes do basquete no país.
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Carlos Cavalcante, técnico do River-PI de basquete
Carlos Estevam
– O que eu posso falar de Oscar Schmidt? O legado que ele deixou para nós. Todo garoto que jogou basquete quis usar a camisa 14 por conta dele. O Oscar é um dos maiores símbolos brasileiros que sempre teve amor pela nação, que deixou de jogar a NBA. Imagina isso: um cara que cara que deixou de jogar o NBA para poder servir a seleção brasileira. Hoje, estou aqui na quadra de basquete, dando aulas e ficou um pouco emocionado com isso porque é uma falta muito grande – comentou Carlinhos Cavalcante, que ainda completou.
– O Oscar Schmidt representa tudo que o basquete tem, apresentou e que pode ainda apresentar de melhor. Eu acredito que quem teve a oportunidade de ver ele jogar, sente o quanto ele tinha o amor pelo basquete e pelo Brasil correndo pelas veias. Perdemos um ídolo hoje, mas vamos conseguir mais adeptos, praticantes graças ao legado que o Oscar Schmidt nos ensinou – destacou.
Oscar Schmidt ministra palestra para servidores estaduais de Rio Branco
Marcos Vicentti/Secom
Carlinhos Cavalcante possui passagens por diversos clubes do basquete piauiense e, atualmente, atua como coordenador técnico do River-SET, que teve seu departamento de basquete reativado após firmar parceria com o SET Experience, em novembro de 2025. Além da tradição nos campos, o Galo também tem peso na modalidade e chegou a participar de diversos campeonatos estaduais durante as décadas de 1990 e 2000. Inclusive, Carlinhos Cavalcante chegou a atuar como atleta da equipe tricolor na modalidade.
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Equipe de basquete do River-PI
Carlos Estevam
Carreira de Oscar Schmidt no Basquete
Nascido em 1958, na cidade de Santana de Parnaíba, em São Paulo, Oscar Schmidt é considerado um dos maiores jogadores da história do basquete. Mesmo nunca tendo atuado na NBA, jogando na posição de ala, ele somou 49.973 pontos ao longo da carreira, defendendo equipes como Unidade da Vizinhança, Palmeiras, EC Sírio, América-RJ, JuveCaserta (Itália), Pávia (Itália), Fórum Valladolid (Espanha), Corinthians, Bandeirantes, GR Barueri e Flamengo, entre 1975 e 2003.
Oscar Schmidt é homenageado pelo Brooklyn Nets da NBA
Pela Seleção Brasileira de Basquete, Oscar disputou 326 partidas e participou de cinco Jogos Olímpicos. Em termos de conquistas, faturou três títulos do Campeonato Sul-Americano de Basquete (1977, 1983 e 1985) e a medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de 1987, realizados em Indianápolis, nos Estados Unidos. Em 1984, o ala paulista chegou a ser selecionado pelo New Jersey Nets no Draft da NBA daquele ano, mas recusou o convite para manter seu vínculo com a seleção brasileira da modalidade.
Oscar Schmidt atuando pela Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996
Andrew D. Bernstein/NBAE via Getty Images
Títulos de Oscar Schmidt
5 Campeonatos Brasileiros (1977, 1978, 1980, 1981 e 1982);
4 Campeonatos Paulistas (1976, 1977, 1978 e 1989);
3 Campeonatos Cariocas (1980, 1981 e 1982);
3 Campeonatos Sul-Americanos (1977, 1983 e 1985);
1 Copa Interamericana de Basquete (1977);
1 Campeonato Mundial Interclubes (1979);
1 Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões (1979);
3 Campeonatos Cariocas (1980, 1981, 1982);
1 Copa da Itália (1988);
Medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos (1987).
Oscar Schmidt atuando pelo Mackenzie/Microcamp em 1998
Reprodução
Recordes de Oscar Schmidt
Mais participações em Olimpíadas – 5;
Mais pontos em Olimpíadas – 1.093;
Mais vezes cestinha em Olimpíadas – 3;
Mais cestas de três pontos, dois pontos e lances livres em Olimpíadas;
Mais minutos jogados em Olimpíadas;
Mais pontos totais em Campeonatos Mundiais – 893;
Mais pontos em um jogo de Olimpíadas – 55, contra a Espanha, em 1988;
Mais pontos em um jogo de Mundial – 52, contra a Austrália, em 1990;
Mais pontos em um único jogo de Pan-americano – 53, contra o México, em 1987;
Mais pontos em um jogo da Liga Sul Americana – 46, contra o Ambassadors, pelo Flamengo;
Mais pontos pela Seleção Brasileira – 7.693;
Mais pontos em um único Campeonato Italiano – 1.760, em 40 jogos, jogando pelo Pavia;
Mais vezes cestinha na Itália – 8, jogando por Caserta e Pavia;
Maior média de pontos no Campeonato Italiano – 34,6 em 11 anos pelo Caserta e Pavia;
Estrangeiro que fez mais pontos na história do Campeonato Italiano – 13.957;
Lances livres consecutivos em jogos da Seleção Brasileira – 34, no Pan-americano de 1979;
Lances livres consecutivos em jogos profissionais – 90 no Campeonato Carioca, pelo Flamengo;
Lances livres consecutivos em treino – 196 num treino da seleção brasileira;
Três pontos consecutivos em um jogos – 8/8, no Campeonato Espanhol, pelo Fórum;
Dois pontos consecutivos em um jogo – 12/12, no Campeonato Espanhol, pelo Fórum;
Lances livres consecutivos em um jogo – 22/22, na Itália, jogando por Caserta;
Quatro camisetas aposentadas na carreira – 18, de Caserta (Itália); 11, de Pavia (Itália); 14, do Unidade Vizinhança (Brasília); 14, do Flamengo (Rio de janeiro);
271 partidas consecutivas sem faltar no campeonato italiano com Caserta durante 7 anos.
Morte de Oscar Schmidt
Nesta sexta-feira, morreu Oscar Schmidt, o Mão Santa, aos 68 anos. Maior pontuador da história das Olimpíadas, o astro, que é irmão do apresentador Tadeu Schmidt, deixou a mulher, Maria Cristina, e dois filhos, Filipe e Stephanie. Oscar enfrentava um tumor cerebral desde 2011. Em declaração, a família destacou sua luta e sua história.
Oscar Schmidt no Hall da Fama do basquete
Nathaniel S. Butler/NBAE via Getty Images
“Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida. Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo”, diz um trecho, que completa:
“A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento. Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória.”




